by Ricardo Gondim

 

 

O que é a alma? Não sei. Às vezes tenho a impressão que alma não passa de um nó apertado bem no peito da gente.
 
 
 
16/01/2012

 

“O grande milagre da multiplicação: junta o pouco de todos que dará um bocado para muitos!”

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Matias

03/01/2012

“ A igreja cristã ainda é uma menina, de tão infantilizada, chega a ser medíocre. Ainda se alimenta de leite ao invés de vinho e pão.”

 

Paulo Matias

25/10/2011

Para entrar no site oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras clique aqui:

http://www.palmeiras.com.br/

por Luiz Henrique Matos

 

 

“As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo!” (2 Coríntios 5:17b).

Tenho pensado no Japão e no Haiti de uns tempos pra cá. Mais especificamente, desde que os dois países foram atingidos por terremotos, volta e meia me pego curioso sobre as tragédias que aquelas pessoas viveram. Num antagonismo singular, de um lado uma das cinco economias mais prósperas do planeta e, do outro, uma das misérias mais evidentes. Duas ilhas, o mesmo mal e a testificação dolorosa de que tempestades atingem a todos.

Ao contrário do que parece, não tenho sido tocado por sentimentos altruístas. Quisera fosse, mas preciso ser honesto aqui. O que me vem à mente agora, meses depois, é que passada a devastação imediata da tragédia, aqueles povos precisam reerguer suas cidades. Eles estão começando de novo, catando as sobras e as lembranças, procurando sob escombros um pouco de força.

Mas o que mais me intriga é pensar que ainda antes de reconstruir, aquela gente vai precisar tirar o lixo da frente. Bem, lixo… o que eram suas casas, suas famílias, seus bens e apegos, agora são escombros que precisam ser movidos, limpos, organizados, para só então uma nova cidade ser edificada.

Tira-se pedra sobre pedra, ergue-se um tijolo após outro. E nos alicerces, em cada novo palmo da vida, um pouco do passado, uma memória recente, agora assentada com massa e reboco.

Pessoas estendem suas mãos e clamores a Deus, outras pessoas estendem suas mãos e ajudam, doam e participam. Mas em geral, passada a comoção imediata, a reconstrução é um processo bem solitário.

Ontem à noite fomos a um casamento. Preciso dizer que, ao contrário de muitos amigos, gosto de casamentos. Além da beleza da festa e do fato de ser a única ocasião em que uso gravata – e passo 45 minutos tentando acertar o nó daquela tirinha de pano que penduro no pescoço – me encanta o significado todo do ritual e os procedimentos, tudo ainda meio primitivo, um homem e uma mulher no exato momento em que decidem se tornar uma só carne. Coisa bonita, a cena toda, muito melhor do que qualquer novela. Eu sou um romântico.

Mas essa, a de ontem, talvez tenha sido uma das cerimônias mais tocantes em que já estive. Toda a cena, beleza e expectativa estavam lá, mas o que tornava o momento ainda mais peculiar é que aquele se tratava do segundo casamento dos dois, que vinham de divórcios depois de viverem anos tentando sustentar suas famílias. Cada um com sua história, trazendo consigo o passado, as experiências, filhos, sonhos e talvez um terremoto que tenha destruído e deixado em escombros boa parte do que construíram em suas vidas.

Foi uma cerimônia simples, elegante e muito agradável. Mas aquele momento trazia todo o significado que essa analogia descreve. Era incrível vê-los ali, confirmando um para o outro os seus votos, empurrando no dedo o anel dourado que cobrirá a marca antiga, na alegria e na tristeza. Uma nova aliança, uma nova chance, sonhos refeitos e Deus renovando o amor, puro amor, para que um homem e sua garota, apaixonados como jamais pensaram ser possível outra vez, construam juntos uma família.

É bonito ver como Deus age. Após a tragédia, sob a aparente destruição, ele faz brotar vida. Nas marcas do passado, seu toque é capaz de cicatrizar e sarar feridas. Ele oferece redenção, consolo, cuidado, ele refaz sonhos e nos veste com uma roupa limpa e nova para que participemos da festa. Deus transforma o mal em bem, sempre e outra vez mais, porque ele é amor e não cabe em si.

Havia poucas pessoas no casamento. Familiares, amigos, testemunhas, talvez alguns dos que se dispuseram a ajudar na limpeza e reconstrução. Mas diferente de outras tragédias e seus processos, esse agora não é um caminho solitário. Aquele casal descobriu um ao outro, eles agora se pertencem, e carregam uma aliança, a esperança e o desejo de fazer dar certo, de se amar e edificar um novo lar.

 

Fonte: http://missaovirtual.com/

 

Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos…

Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens…

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz…

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração…

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando…

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem…

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

 

Belchior

 

 

 

por Jefferson Ramalho

Isso mesmo! Ainda não perdi a minha fé, ainda creio, e muito! Quanto ao blog é assim, de tempo em tempo sumo, mas acabo aparecendo. Tenho me ocupado intensamente nas últimas semanas com a minha pesquisa de mestrado, pois em poucas semanas pretendo depositá-la e defendê-la em seguida.

Quanto à minha fé, os poucos que tem acompanhado este espaço ao longo desse tempo já sabem: embora pareça não a perdi. Antes, perdi a fé naquilo que frequentemente vem sendo equivocadamente associado à fé. Mas em Deus – este Ser inexplicável, indefinível, indisponível à reflexão, absolutamente misterioso – nele continuo acreditando. Assumi e assumo um ateísmo metodológico em minhas pesquisas acadêmicas para que elas não deixem de ser científicas.

Mas quando o assunto é vida, especialmente a minha, a fé permanece inabalável. Agora, não me pergunte como. Minha fé não traz um rótulo religioso, nem é exercitada dominicalmente num templo, não tem estado associada a ritos, sacrifícios, ofertas ou oferendas. Minha fé – carregada de dúvidas, diga-se de passagem – está purificada dessas coisas. Não preciso ir à igreja para ter fé, pois se eu for ela se enfraquecerá.

Prefiro, aos domingos, não ouvir uma pregação evangélica, pois esta – não sei o porquê – tem o poder de interferir muito negativamente em minha fé. Prefiro aproveitar mais da doce, agradável e insubstituível companhia de minha esposa e companheira, prefiro ouvir música, prefiro ler, prefiro assistir futebol, prefiro dormir… tudo (ou melhor, quase tudo), menos ir pra uma igreja.

Não desrespeito, não discrimino, não excluo quem o faz por sentir-se bem fazendo, não importam as razões, mas eu… prefiro ficar na minha. Cristo me libertou da igreja!

Parece um paradoxo, pois convivo com muitos que fazem parte da igreja, a maioria é composta por alunos e colegas de estudos em teologia como um dia eu fui, e vejo que a permanência na igreja para eles é algo que lhes dá sentido à vida. Confesso que acho isso belíssimo e entendo perfeitamente, pois houve um dia em que eu não conseguia me ver fora dessa realidade. Mas hoje, as coisas mudaram… mudaram muito!

Eu só não consigo entender uma coisa: como é que muitos conseguem imaginar que pelo simples fato de eu não estar mais vivendo essa realidade, minha fé, minha crença em Deus, minha devoção, tenham deixado de existir? Isso não, isso não aconteceu!

Encerro fazendo uma confissão: abandonei a religião no dia em que percebi que ela estava silenciosa e traiçoeiramente destruindo a minha fé!

na Graça,
Jefferson

 

Fonte: http://jeffersonramalho.blogspot.com/

Símbolos são como bons amuletos, eles têm poder independentemente da fé, funcionam ainda que não acreditamos neles. E não acreditamos!
 
Roger (Teologia Livre)

Sentimos culpados por nos deixar conduzir pelas exigências do mundo, ainda que nobres, e não por uma inspiração interior e pessoal.

P.Tournier

by Ricardo Gondim

 

 

Entre as parábolas desconsertantes que Jesus contou, uma inquieta bastante. Para esvaziar a empáfia dos que se achavam melhor que os outros, eis a história de Lucas 18.9: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu em pé, orava silenciosamente: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’”. O arremate de Cristo veio como um cruzado de esquerda no queixo dos religiosos: “Eu lhes digo que este homem [o indigno publicano] e não o outro [o moralista religioso] foi para casa justificado diante de Deus”.

Ao contrário do senso comum, os religiosos são os primeiros a carecer de salvação. Deles brota o fermento que pode estragar o divino projeto de humanização. Da arrogância de se verem eleitos, pinga o veneno da hipocrisia. Jesus quer, sim, salvar televangelistas, pastores, apóstolos e bispos. Mesmo as estrelas de primeira grandeza da religião podem ser alcançados pelo amor de Deus. Ninguém está irremediavelmente perdido. Ora, ora, se Cristo salvou Nicodemos, Zaqueu e Saulo de Tarso, gente bem escolada no be-a-bá da presunção, por que não eles? Vale lembrar: o juízo divino começa sempre pelos bastidores, sacristias e gabinetes pastorais. E ele julga porque todos são amados de Deus, inclusive pilantras paramentados. Jesus quer resgatar cínicos que engomam seus colarinhos clericais com o polvilho branco do oportunismo eclesiástico; eles também merecem o céu. Mas, se eles podem herdar o Paraíso, o que seria necessário para a salvação de um religioso?

Salvação chega à casa do religioso quando ele se dispõe a calçar as sandálias do pobre. Os palavrórios idealizados, sem conexão com a realidade, se esvaziariam caso um sacerdote se visse obrigado a esperar por atendimento médico em algum banco enferrujado de ambulatório público. 

Será que o evangelista engravatado imagina o drama da mãe solteira, negra e subempregada que procura por creche para deixar o filho e ganhar um pão amassado? Desses que viajam de helicóptero, quem estaria disposto a viver, só por um mês, a sorte do pai que vê o filho crescer próximo ao ponto de venda de tóxico? Quantos já experimentaram dormir com fome? Será que entendem a lógica do capitalismo que empurra as pessoas para o beco sem saída da exclusão social? Simples: qualquer pessoa que trata com leviandade a sorte do pobre precisa de salvação.

No outro lado dessa moeda embotada, redenção também é necessária. O que dizer de quem ostenta em nome do Nazareno? O que dizer da luxúria? Anéis, relógios e automóveis caríssimos levantam a suspeita: vários deles não embarcaram no carreirismo religioso exatamente porque queriam fugir da marginalização econômica que um dia vivenciaram?

Cristo salva o pastor que for sensível aos que se angustiam nas seções de hemodiálise, às famílias que aguardam transplante de pulmão, às clínicas de fisioterapia onde mutilados e paraplégicos reaprendem a andar, às Unidades de Tratamento Intensivo dos hospitais infantis onde crianças cancerosas precisam ser amarradas para receber quimioterapia.

Os que vivem da grandiloquência do discurso dogmático podem ser resgatados caso aprendam a solidarizar-se com refugiados de guerra ou se souberem valorizar o esforço dos Médicos sem Fronteira que cuidam do refugo humano que o capitalismo demoníaco produz pelo mundo a fora. 

Enquanto sacerdotes tagaleram doutrinas, no máximo geram prosélitos, e condenam a si e seus seguidores ao inferno duplo da beatice sem relevância.

Jesus pode libertar o televangelista, mas é necessário que ele guarde o escrúpulo de não expoliar o motoboy que arrisca a vida para ganhar um salário minguado, a empregada doméstica que se submete aos caprichos da madame da classe média, o carvoeiro que vive na boca de fornalha para não faltar carvão no churrasco do restaurante de luxo, a enfermeira que enfrenta madrugadas frias. 
Sacerdote que insiste em propagandear superstições deve saber que seu caminho é o do cego que guia cego.

Deus não tem prazer na perdição do religioso. Ele insiste: “Eis que estou à porta e bato”. Enquanto perdurar o sistema que legitima a alienação e enquanto houver gente se valendo do sagrado para confundir delírio com esperança, será preciso escutar a admoestação do fim dessa parábola de Jesus:  “Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.

 

Soli Deo Gloria
9-06-11

 

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br

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